Mosley desiste oficialmente de tentar a reeleição da FIA e apoia Todt
O atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o britânico Max Mosley, confirmou nesta quarta-feira que não irá se candidatar à reeleição no próximo dia 23 de outubro. O comunicado foi feito através de uma carta enviada a todos os setores que compõem a organização.
No texto, Mosley afirmou que, apesar de receber quase uma centena de mensagens de membros da FIA, optou por não tentar a reeleição para aquele que seria seu quinto cargo à frente da entidade máxima do automobilismo. A principal razão, segundo ele, é poder dedicar maior tempo à família.
“De um ponto de vista pessoal, será muito difícil eu mudar de ideia e me candidatar novamente”, escreveu o dirigente. “Há alguns meses, eu comecei a pensar em como ficaria minha vida familiar após o próximo mês de outubro. Também informei a membros da FIA que eu não me candidataria. Reeleger-me agora complicaria minha vida particular e seria incompatível com minhas obrigações familiares, particularmente após nossa perda recente [Alexander, filho de Mosley, morreu no último mês de maio, vítima de suposta overdose de drogas]. Além disso, eu tenho sentido que preciso trabalhar menos. Afinal, completarei 70 anos no ano que vem”.
Mosley havia assegurado no dia 24 de junho, após se reunir com a Fota (Associação das Equipes de F-1) para evitar a ideia de organização de um campeonato paralelo, que não iria tentar a reeleição. Entretanto, dias depois, chateado com as escuderias após chegar a um acordo, o britânico voltou atrás e deu a entender que tentaria continuar na presidência da FIA. A carta divulgada nesta quarta é uma vitória política das escuderias. Além de ameaçarem um rompimento com a F-1, os times não pouparam críticas a Mosley nos últimos meses, chamando-o, na maioria das vezes, de autoritário e retrogrado.Segundo Mosley, o novo Pacto de Concórdia a ser assinado pelas equipes nos próximos dias e a evolução dos esportes a motor deram-no tranqüilidade para afastar-se definitivamente do cargo de presidente da FIA.
Apoio a Jean Todt
Por enquanto, o único pré-candidato às eleições de outubro é o finlandês Ari Vatanen, campeão mundial de rali em 1981 e tetracampeão do Rali Dakar (1987, 89, 90 e 91). No entanto, no texto enviado hoje, Mosley oficializou seu apoio a Jean Todt, ex-chefe da Ferrari, ainda que o francês não tenha oficializado uma candidatura.
“Acredito que a pessoa certa para conduzir este grupo seja Jean Todt”, escreveu Max Mosley, para quem a FIA deve ser comandada por pessoas fortes, experientes e competentes. “Jean é, inquestionavelmente, o melhor dirigente de esportes a motor da sua geração e talvez até de todos os tempos. Se ele concordar em se candidatar, acredito que será a pessoa ideal para continuar e até estender o trabalho realizado nos últimos 16 anos [período em que Mosley esteve no comando]. Ele pode interagir em todas as áreas da FIA. E eu espero que vocês [membros da FIA que receberam a carta] prestem seu apoio a ele”.
Chefe da Ferrari nos tempos de Michael Schumacher, quando a equipe conquistou seis Mundiais de construtores e outros cinco de pilotos, Todt também tem uma longa carreira em outras áreas da velocidade. Como chefe da Peugeot, ele venceu as 24 horas de Le Mans e o Rali Paris-Dakar. Nesta última prova, por sinal, suas vitórias vieram justamente com as conquista de Ari Vatanen, seu provável rival nas eleições de outubro.Apesar do histórico de Todt ligado as suas antigas equipes, Mosley não acredita que o francês beneficiaria os times. “É preciso enfatizar que ele não seria um candidato da indústria do motor. Ele não teria nenhuma relação especial com suas antigas equipes, a Ferrari e a Peugeot-Citroen”, opinou o atual presidente da FIA.
Mas apesar do otimismo de Mosley, a forte ligação de Todt com a Ferrari pode comprometer sua candidatura junto às demais equipes. Nesta quarta, logo após a divulgação da carta do presidente da FIA, o diretor geral da McLaren, Martin Whitmarsh, reiterou seu apoio a Vatanen.
“Ele é uma pessoa que sugere novidade, e renovar o mundo do esporte é algo desejável agora”, comentou o dirigente. “Foi um grande piloto e um campeão mundial, por isso creio que entende bem a competição. Também tem sido um político de êxito [integrou o Parlamento Europeu], e isso é um adendo, porque há muita política na F-1, no automobilisno e na FIA”.
Fonte: esporte.uol.com.br